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domingo, 9 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
GALPÕES DE RECICLAGEM E A UNIVERSIDADE

Lançamento da publicação
Pelotas, 14 de novembro de 2008
Pelotas, 14 de novembro de 2008
O livro organizado pelos arquitetos Eduardo Rocha e Fernando Freitas Fuão, reúne textos dos participantes do 1º. Encontro Galpões na Universidade, ocorrido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em maio de 2007.
Assim foi construído esse livro. Cada autor, cada Universidade, cada lugar, cada grupo de catadores, cada galpão, ainda que trabalhando de forma independente, cada um no seu nó, a partir de seus olhares e formas de imersão no mundo, jogaram na rede suas reflexões e suas experiências concretas. São arquitetos, educadores, filósofos, sociólogos, ambientalistas, assistentes sociais, odontologistas, que acabam por trabalhar numa perspectiva multi e interdisciplinar. Ficamos enredados numa teia de concepções que não dá mais para separar, desconstruímos as disjunções para construir as interações. Para construir a vida.
Artigos dos seguintes autores: Fernando Freitas Fuão, Bruno Euphrasio de Mello, Camila Bernadeli, Camila Rocha, Fernanda Schaan,Michele Rainmann, Ananda Kuhn, Nilton Bueno Fisher, Ademir José Zattera, Paulo Rogério De Mori, Suzana Maria De Conto, Larissa Nardini Carli, Liliana Brandelli Scopel, Sandra Regina Dalfovo, Sayonara Guaresi, Matheus Poletto, Fernanda Gelatti, Carina Soldera Quissini, Vania Elisabete Schneider, Neide Pessin, Ângela Rossana Ungaretti, Rosinha Machado Carrion, André de Oliveira Lopes, Clarissa M. de Lucena Santafé Aguiar, Carlos Renato Siqueira Gomes, Renato da Silva Della Vechia, Ana Julia da Rosa, Elizabete Farias Pinheiro, Fernanda Nunes Caldeira, Gisele Hillal, Janaina Guerra, Ricardo Severo, Solaine Gotardo, Tássia Schinof, Pierre Moreira dos Santos, Janaina da Silva Guerra, Marcos Kammer, Eduardo Rocha, Gabriela Fantinel Ferreira, Manoela Py Sostruznik, Papola Calderòn, Paula Alquati, Juliana Plá, Tatiane Nogueira, Márcia Cançado Figueiredo, Daniel Demétrio Faustino-Silva, Josiane Braga Sampaio, Ana Clara Braga Sampaio, Maria Dalva de Aguiar Braga e Juliana Veleda da Silveira.
Data e Horário
Sexta-feira, 14 de novembro, às 18 horas
Local
Feira do Livro de Pelotas, Estande da Editora e Gráfica da Universidade Federal de Pelotas [UFPel], Praça Cel. Pedro Osório, Pelotas, RS
Maiores informações:
Editora e Gráfica UFPel
Tel: [53] 32278411
E-mail: editoraufpel@uol.com.br
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
MARÉ
[Adriana Calcanhoto/Moreno Veloso]
Mais uma vez
vem o mar
se dar
como imagem
Passagem
do árido à miragem
Sendo salgado
gelado
ou azul
Será só linguagem
Mais uma vez
vejo o mar
voltar
como imagem
Passagem
de átomo a paisagem
Estando emaranhado
verde azul
Será ondulado
Irado emaranhado
verde azul
Será ondulado
Mais uma vez
vem o mar
se dar
como imagem
Passagem
do árido à miragem
Sendo salgado
gelado
ou azul
Será só linguagem
Mais uma vez
vejo o mar
voltar
como imagem
Passagem
de átomo a paisagem
Estando emaranhado
verde azul
Será ondulado
Irado emaranhado
verde azul
Será ondulado
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
DISCURSO PARANINFO FAURB 2008-1
ARQUITETOS DA CONTEMPORANEIDADE
Discurso proferido pelo Arquiteto MSc. Eduardo Rocha,
no ato de colação de grau dos Bacharéis em Arquitetura e Urbanismo,
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal de Pelotas,
turma 2008/1, no dia 02 de agosto de 2008.
Discurso proferido pelo Arquiteto MSc. Eduardo Rocha,
no ato de colação de grau dos Bacharéis em Arquitetura e Urbanismo,
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal de Pelotas,
turma 2008/1, no dia 02 de agosto de 2008.
- Magnífico Reitor, Professor Antônio César Gonçalves Borges.
- Excelentíssimo Senhor Vice - Reitor, Professor Telmo Pagana Xavier.
- Excelentíssimo Senhor Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Professor Antônio César Baptista da Silva.
- Excelentíssima Senhora Vice-Diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Professora Margarete Freitas Gonçalves.
- Excelentíssimo Senhor coordenador do colegiado do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Professor Armando Rodrigues da Costa.
- Excelentíssimo Professor Mauricio Couto Polidori, Patrono da Turma.
- Excelentíssimos Senhores Professores homenageados Álvaro Xavier, Ruy Pereira da Silva, Nirce Saffer Medvedovski e Sylvio Arnoldo Dick Jansen.
- Excelentíssima funcionária homenageada Senhora Marisa Helena de Moura.
- Excelentíssimos Professores do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas.
- Familiares dos formandos.
- Minhas senhoras e meus senhores.
- Meus queridos bacharelandos: Diego, Vinícius, Christiano, Rodrigo, Juarez, Patrícia, Manoela, Grasiela, Juliana Ribeiro, Lúcia, Priscila, Tatiana, Miriam, Raquel, Taiana, Gabriela, Roberta, Juliana Pla, Clarissa, Samanta, Helen, Fernanda e Cheila.
- Ao ser convidado paraninfo da turma de formandos em arquitetura e urbanismo, pegou-me de surpresa, fiquei, então, por algum tempo, pensando o que falaria nessa hora. De onde buscaria essa fala.
- Bem, minha fala aqui acaba por ser de alguém que vive da busca, já que sou um artista para ser um arquiteto, sou arquiteto para ser um professor, sou professor para ser um pesquisador e assim por diante.
- Nesse momento, minha fala, não é apenas a de um colega de profissão, mais que isso, é a fala de um amigo. É uma fala que se dá a partir de nossos encontros.
- Encontramo-nos por duas vezes durante a formação em arquitetura e urbanismo, como professor e alunos, aluno e professores.
- Encontramo-nos exatamente no primeiro dia de aula, uma segunda-feira, às 8 horas da manhã, disciplina de Técnicas de Representação e Expressão Gráfica 1. Sentimentos de curiosidade, de vontade de começar, de insegurança e, até mesmo, de medo. Olhares atentos ao que estava por vir.
- Após quatro anos, encontramo-nos novamente, na disciplina de Projeto Arquitetônico e Planejamento Urbano, projeto nove, com certezas diferentes, portanto outras pessoas, eu e vocês.
- Durante este tempo, estudamos, lemos, escrevemos, fomos por diversas vezes arquitetos e urbanistas, além de muitos outros. Fomos e somos muitos nesses encontros.
- Nossos encontros são como uma cadeia infinita de ações, as quais permanecem. Não existem encontros sozinhos, encontros isolados de outras ações. Dessa forma, a razão de uma ação, é atribuída á outra ação, formando assim uma cadeia de ações.
- O encontro nos leva a suspender e questionar nossos jeitos, sujeitos, juízos de valor, nosso cotidiano.
- O impacto desse encontro é o que aciona essa suspensão, esse entretempo. É um rachar as coisas, um rachar as palavras.
- Desorganizamo-nos e nos desregulamos de alguma forma. O encontro é o que nos obriga a pensar.
- Tudo é apenas encontro no universo, bom ou mau encontro, mas os Nossos: tem sido bons encontros.
- Encontramo-nos agora, hoje aqui, nos últimos momentos, como estudantes e professor.
- Mas por que nos encontramos? Por que estudamos tanto durante esses 5 anos? Por qual motivo corremos tanto, desenhamos tanto, fizemos tantas maquetes, fotografias, filmes? O motivo é simples: queremos ser arquitetos.
- O que é ser um arquiteto? O que é ser um arquiteto na contemporaneidade?
- Nossa contemporaneidade é composta por uma complexidade social profunda, uma pluralidade de sentidos. Momento de desestabilização. Desestabilização como normalidade. O medo agora é o de não conseguirmos acompanhar tamanhas mutações.
- A democratização dos processos e experiências cognitivas – o que nos faz pensar? – é o lugar de todos esses paradoxos e de certa angústia face à emergência de novos paradigmas ou da ausência destes.
- A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, ultimamente, perde o seu caráter doutrinário e ideológico, tornando-se o território por excelência da apreensão dos múltiplos caracteres de diversas ordens que confluem no projeto do arquiteto e urbanista.
- Projeto como processo, lugar onde operam o subjetivismo individual (o ideal do artista que não está sujeito, quer às condições quer às exigências do cliente, que advém da libertação individual do romantismo).
- O que durante a aprendizagem da disciplina é positivo, desde o desejo de experimentação, da alegria da descoberta inerente a cada projeto, pode tornar-se, na passagem, a uma prática efetiva na sociedade, um problema para vocês “jovens-arquitetos”, se esse acumular de experiências não for apoiado por um olhar à realidade.
- Em todo o caso, e para o que nos importa aqui - o caminho dos “jovens-arquitetos” na realidade brasileira - parece-nos um problema menos estético e mais ético, mais programático e menos de “gosto”.
- É quase consensual, ao observarmos a realidade em que os recém-arquitetos vão intervir, notarmos que esta não é a mais favorável, é talvez a mais dura.
- Hoje, como consumidores de arquitetura que todos somos, não temos tido a suficiente exigência que poderia ser impeditiva deste panorama. É o exercício pleno do direito de cidadania que se deve sobrepor às “pressões do mercado”.
- Se é verdade que a “arquitetura é a construção do sonho” não é menos verdade que, pela relevância social, econômica e cultural, a arquitetura possa ser um instrumento de transformação da própria sociedade a vários níveis: do interesse e conseqüente (re)conhecimento da contemporaneidade arquitetônica por parte dos cidadãos, da melhoria da qualidade da arquitetura e das cidades, ao benefício imediato no modo como se vive o espaço.
- As possíveis estratégias a tomar face a esta situação podem decorrer de uma tentativa de resistência que o próprio projeto deve abraçar. Sendo que cada projeto é um problema diferente e com uma multiplicidade de respostas possíveis, por isso é imperativo um rigoroso olhar para a realidade social, econômica e cultural em que está compreendido.
- Em virtude disso, queridos formandos, transformar já não exibe o caráter redentor apontado pelas vanguardas do início do século XX. O que se deseja é a inclusão das adversidades e felicidades que quotidianamente acontecem como matéria-prima da própria invenção arquitetônica.
- Uma abertura aos condicionamentos que se sobrepõem no processo de projeto e que invadem o papel branco mesmo antes do pensamento da arquitetura. Um exercício que resulte num reconhecimento do papel do arquiteto e num pluralismo das arquiteturas propostas. Numa arquitetura que não se desmorone no primeiro confronto com o mundo e na multiplicidade de escolhas que nele ocorrem. Uma arquitetura: palco da liberdade que essas escolhas implicam.
- É talvez um exercício de paciência que cada vez mais se exige ao recém-arquiteto, um jogo onde todas as sutilezas podem adquirir uma importância essencial. É a partir de um olhar à realidade, que cada um de vocês pode construir o seu caminho, ajustado a essa mesma realidade.
- Ser arquiteto, talvez seja não ser tão arquiteto em seu sentido tradicional, como aquele sujeito que planeja construções de casas, de prédios, que pensa lugares. Seria mais que isso, arquiteto é aquele sujeito capaz de produzir sentidos, sentimentos e sensações, a partir dos projetos arquitetônicos e urbanos propostos para os outros.
- Nesse momento, sinto-me tentado finalmente a aconselhar, embora digam que conselho só se dá a quem pede, mas se vocês me convidaram para paraninfo acredito ter licença para dar alguns.
- Portanto, apesar de minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, por considerar-me mais um desorinetador do que propriamente um orientador, mas ainda assim aqui vão três que julgo valiosos nesse momento.
- Meu primeiro conselho, vem diretamente da Bíblia:
- "Seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito". É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: Seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito, ou seja, é preferível o erro à omissão, o fracasso ao tédio, o escândalo ao vazio. A resposta é sempre, sim, eu posso. Já disso isso muitas vezes a vocês.
- Meu segundo conselho:
- Nunca busque o significado das coisas, mas sim o sentido. As grandes idéias nascem com sentido e não com significado, o significado é algo que atribuímos muito tempo depois. O arquiteto é a pessoa que pode criar conjuntos de sensações, as quais vão além daquele que sente. Lugares de puro sentido, mas capazes de causar-nos afectos. Fazer arquitetura é isso, é fazer sentido. E quando conseguimos atingir o sentido, fazer arquitetura é algo muito bom, muito prazeroso.
- Meu terceiro, e último conselho:
- De voz as diferenças, não a diferença entre uma coisa e outra, mas a diferença em si mesma. A diferença no estruturalismo das coisas, da cidade, dos projetos, das arquiteturas e dos urbanismos. Não como uma forma de negação em detrimento de outra, mas sim tornando visível o que é invisível.
- É isso, “vamos virar a câmera e estremecer a imagem”, “ a vida é mais complexa do que parece”....[segue vídeo].
http://br.youtube.com/watch?v=BNAQVkkrhMo
- Excelentíssimo Senhor Vice - Reitor, Professor Telmo Pagana Xavier.
- Excelentíssimo Senhor Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Professor Antônio César Baptista da Silva.
- Excelentíssima Senhora Vice-Diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Professora Margarete Freitas Gonçalves.
- Excelentíssimo Senhor coordenador do colegiado do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Professor Armando Rodrigues da Costa.
- Excelentíssimo Professor Mauricio Couto Polidori, Patrono da Turma.
- Excelentíssimos Senhores Professores homenageados Álvaro Xavier, Ruy Pereira da Silva, Nirce Saffer Medvedovski e Sylvio Arnoldo Dick Jansen.
- Excelentíssima funcionária homenageada Senhora Marisa Helena de Moura.
- Excelentíssimos Professores do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas.
- Familiares dos formandos.
- Minhas senhoras e meus senhores.
- Meus queridos bacharelandos: Diego, Vinícius, Christiano, Rodrigo, Juarez, Patrícia, Manoela, Grasiela, Juliana Ribeiro, Lúcia, Priscila, Tatiana, Miriam, Raquel, Taiana, Gabriela, Roberta, Juliana Pla, Clarissa, Samanta, Helen, Fernanda e Cheila.
- Ao ser convidado paraninfo da turma de formandos em arquitetura e urbanismo, pegou-me de surpresa, fiquei, então, por algum tempo, pensando o que falaria nessa hora. De onde buscaria essa fala.
- Bem, minha fala aqui acaba por ser de alguém que vive da busca, já que sou um artista para ser um arquiteto, sou arquiteto para ser um professor, sou professor para ser um pesquisador e assim por diante.
- Nesse momento, minha fala, não é apenas a de um colega de profissão, mais que isso, é a fala de um amigo. É uma fala que se dá a partir de nossos encontros.
- Encontramo-nos por duas vezes durante a formação em arquitetura e urbanismo, como professor e alunos, aluno e professores.
- Encontramo-nos exatamente no primeiro dia de aula, uma segunda-feira, às 8 horas da manhã, disciplina de Técnicas de Representação e Expressão Gráfica 1. Sentimentos de curiosidade, de vontade de começar, de insegurança e, até mesmo, de medo. Olhares atentos ao que estava por vir.
- Após quatro anos, encontramo-nos novamente, na disciplina de Projeto Arquitetônico e Planejamento Urbano, projeto nove, com certezas diferentes, portanto outras pessoas, eu e vocês.
- Durante este tempo, estudamos, lemos, escrevemos, fomos por diversas vezes arquitetos e urbanistas, além de muitos outros. Fomos e somos muitos nesses encontros.
- Nossos encontros são como uma cadeia infinita de ações, as quais permanecem. Não existem encontros sozinhos, encontros isolados de outras ações. Dessa forma, a razão de uma ação, é atribuída á outra ação, formando assim uma cadeia de ações.
- O encontro nos leva a suspender e questionar nossos jeitos, sujeitos, juízos de valor, nosso cotidiano.
- O impacto desse encontro é o que aciona essa suspensão, esse entretempo. É um rachar as coisas, um rachar as palavras.
- Desorganizamo-nos e nos desregulamos de alguma forma. O encontro é o que nos obriga a pensar.
- Tudo é apenas encontro no universo, bom ou mau encontro, mas os Nossos: tem sido bons encontros.
- Encontramo-nos agora, hoje aqui, nos últimos momentos, como estudantes e professor.
- Mas por que nos encontramos? Por que estudamos tanto durante esses 5 anos? Por qual motivo corremos tanto, desenhamos tanto, fizemos tantas maquetes, fotografias, filmes? O motivo é simples: queremos ser arquitetos.
- O que é ser um arquiteto? O que é ser um arquiteto na contemporaneidade?
- Nossa contemporaneidade é composta por uma complexidade social profunda, uma pluralidade de sentidos. Momento de desestabilização. Desestabilização como normalidade. O medo agora é o de não conseguirmos acompanhar tamanhas mutações.
- A democratização dos processos e experiências cognitivas – o que nos faz pensar? – é o lugar de todos esses paradoxos e de certa angústia face à emergência de novos paradigmas ou da ausência destes.
- A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, ultimamente, perde o seu caráter doutrinário e ideológico, tornando-se o território por excelência da apreensão dos múltiplos caracteres de diversas ordens que confluem no projeto do arquiteto e urbanista.
- Projeto como processo, lugar onde operam o subjetivismo individual (o ideal do artista que não está sujeito, quer às condições quer às exigências do cliente, que advém da libertação individual do romantismo).
- O que durante a aprendizagem da disciplina é positivo, desde o desejo de experimentação, da alegria da descoberta inerente a cada projeto, pode tornar-se, na passagem, a uma prática efetiva na sociedade, um problema para vocês “jovens-arquitetos”, se esse acumular de experiências não for apoiado por um olhar à realidade.
- Em todo o caso, e para o que nos importa aqui - o caminho dos “jovens-arquitetos” na realidade brasileira - parece-nos um problema menos estético e mais ético, mais programático e menos de “gosto”.
- É quase consensual, ao observarmos a realidade em que os recém-arquitetos vão intervir, notarmos que esta não é a mais favorável, é talvez a mais dura.
- Hoje, como consumidores de arquitetura que todos somos, não temos tido a suficiente exigência que poderia ser impeditiva deste panorama. É o exercício pleno do direito de cidadania que se deve sobrepor às “pressões do mercado”.
- Se é verdade que a “arquitetura é a construção do sonho” não é menos verdade que, pela relevância social, econômica e cultural, a arquitetura possa ser um instrumento de transformação da própria sociedade a vários níveis: do interesse e conseqüente (re)conhecimento da contemporaneidade arquitetônica por parte dos cidadãos, da melhoria da qualidade da arquitetura e das cidades, ao benefício imediato no modo como se vive o espaço.
- As possíveis estratégias a tomar face a esta situação podem decorrer de uma tentativa de resistência que o próprio projeto deve abraçar. Sendo que cada projeto é um problema diferente e com uma multiplicidade de respostas possíveis, por isso é imperativo um rigoroso olhar para a realidade social, econômica e cultural em que está compreendido.
- Em virtude disso, queridos formandos, transformar já não exibe o caráter redentor apontado pelas vanguardas do início do século XX. O que se deseja é a inclusão das adversidades e felicidades que quotidianamente acontecem como matéria-prima da própria invenção arquitetônica.
- Uma abertura aos condicionamentos que se sobrepõem no processo de projeto e que invadem o papel branco mesmo antes do pensamento da arquitetura. Um exercício que resulte num reconhecimento do papel do arquiteto e num pluralismo das arquiteturas propostas. Numa arquitetura que não se desmorone no primeiro confronto com o mundo e na multiplicidade de escolhas que nele ocorrem. Uma arquitetura: palco da liberdade que essas escolhas implicam.
- É talvez um exercício de paciência que cada vez mais se exige ao recém-arquiteto, um jogo onde todas as sutilezas podem adquirir uma importância essencial. É a partir de um olhar à realidade, que cada um de vocês pode construir o seu caminho, ajustado a essa mesma realidade.
- Ser arquiteto, talvez seja não ser tão arquiteto em seu sentido tradicional, como aquele sujeito que planeja construções de casas, de prédios, que pensa lugares. Seria mais que isso, arquiteto é aquele sujeito capaz de produzir sentidos, sentimentos e sensações, a partir dos projetos arquitetônicos e urbanos propostos para os outros.
- Nesse momento, sinto-me tentado finalmente a aconselhar, embora digam que conselho só se dá a quem pede, mas se vocês me convidaram para paraninfo acredito ter licença para dar alguns.
- Portanto, apesar de minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, por considerar-me mais um desorinetador do que propriamente um orientador, mas ainda assim aqui vão três que julgo valiosos nesse momento.
- Meu primeiro conselho, vem diretamente da Bíblia:
- "Seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito". É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: Seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito, ou seja, é preferível o erro à omissão, o fracasso ao tédio, o escândalo ao vazio. A resposta é sempre, sim, eu posso. Já disso isso muitas vezes a vocês.
- Meu segundo conselho:
- Nunca busque o significado das coisas, mas sim o sentido. As grandes idéias nascem com sentido e não com significado, o significado é algo que atribuímos muito tempo depois. O arquiteto é a pessoa que pode criar conjuntos de sensações, as quais vão além daquele que sente. Lugares de puro sentido, mas capazes de causar-nos afectos. Fazer arquitetura é isso, é fazer sentido. E quando conseguimos atingir o sentido, fazer arquitetura é algo muito bom, muito prazeroso.
- Meu terceiro, e último conselho:
- De voz as diferenças, não a diferença entre uma coisa e outra, mas a diferença em si mesma. A diferença no estruturalismo das coisas, da cidade, dos projetos, das arquiteturas e dos urbanismos. Não como uma forma de negação em detrimento de outra, mas sim tornando visível o que é invisível.
- É isso, “vamos virar a câmera e estremecer a imagem”, “ a vida é mais complexa do que parece”....[segue vídeo].
http://br.youtube.com/watch?v=BNAQVkkrhMo
terça-feira, 22 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
ABANDONO
Ficou um vazio sem ti...
Uma saudade inflexível,
a dor da perda,
uma inquietação!
Ponderações ilógicas?
Amo-te à revelia,
busco-te inconsciente,
alheia à minha realidade,
duelando com a emoção.
O meu silêncio
não pode ser contido.
É um abandono efêmero,
que distraidamente
esvazia de mim, um pouco de ti,
e não me devolve o sossego!
mÔNICA aMÉLIA
Uma saudade inflexível,
a dor da perda,
uma inquietação!
Ponderações ilógicas?
Amo-te à revelia,
busco-te inconsciente,
alheia à minha realidade,
duelando com a emoção.
O meu silêncio
não pode ser contido.
É um abandono efêmero,
que distraidamente
esvazia de mim, um pouco de ti,
e não me devolve o sossego!
mÔNICA aMÉLIA
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O que são arquiteturas do abandono?
As arquiteturas do abandono compreendem desde edificações desabitadas, ruínas, restos de construção como também favelas, resíduos, sujeitos excluídos e tudo que até o desprendimento da matéria poderá nos levar a sentir e a pensar.
Num primeiro momento, apenas uma casa abandonada, em qualquer lugar, vizinha a tantas outras, nossa vizinha. Por ela, passamos todos os dias, caminhamos pela rua, a qual também acumula a sujeira, os restos, o capim. Tudo ao redor dessa casa, saindo pelas frestas, ruindo o reboco. A casa lar que antes abrigava uma família, agora se abre aos desabrigados, aos vagabundos, aos bandidos. Abandona-se ao bando.
Uma fábrica abandonada ou uma fábrica que abandonou muitos, uma enorme massa construída, onde o trabalho parou, mas sente-se ainda o movimento dos operários e o som das máquinas. Das máquinas enferrujadas que não produzem mais nada, apenas as carcaças envoltas em teias de aranha, recoberta por muita poeira. A poeira que entra pela boca, que resseca, que nos cega a vista, que esfuma. Fábrica abandonada por todos, mas que deixa toda a sujeira para trás, dos restos radioativos que podem provocar doenças, até os resíduos que servem de ganha pão para outros. Tudo arruinando e curando: fábrica, máquinas, resíduos, pessoas.
Todo o resíduo e entulho podem escorrer, migrar de um lugar para outro, pingar, deixar-se levar, contaminar o que não é abandonado, assim como o movimento de abandonar, de deixar alguma coisa em detrimento de outra. No edifício, a função vai embora e fica a forma abandonada.
Matar ou curar. Finito e infinito ao mesmo tempo. O tempo dos abandonos pode ser longo como o de uma ruína ou rápido como o de uma implosão. Difícil de ser medido e quantificado. Tudo pode ocorrer numa fração de segundos ou lentamente, como se não passasse de uma longa espera. Abandonar é largar a deterioração ao apodrecimento, ao mofo.
Também um resto de parede que teima em ficar de pé, que teima em permanecer. Mesmo com a chuva e o vento que lavam, dentro e fora, teimem em abatê-la. Uma ruína, um resto arruinado, não aquela ruína histórica, mas uma ruína fruto da supressão da própria história. Uma superfície arenosa e abandonada, transformada em deserto em meio à vida cotidiana das cidades.
Uma cidade é repleta de abandonos, por todos os lados, e de abandonados também. Eles estão ali perambulando pelas ruas, pelas calçadas, adentrando edifícios abandonados, encontrando-se, cara a cara conosco, Ás vezes desviamos, pulamos sobre eles, os abandonados cheiram mal, faltam-lhes dentes, e todos os objetos de consumo que tanto ansiamos.
O campo de ação das arquiteturas do abandono é amplo e, muitas vezes, caótico, abarca a matéria e a imatéria. Abandonamos materialidades, prédios, ruínas, restos, objetos, coisas, tudo o que possamos tocar, roubar, quebrar ou assassinar. Tudo muito elementar, muito óbvio.
No entanto, abandonos são também imateriais, do campo, do que não podemos mensurar. O abandono imaterial é do campo dos sentidos, dos desejos ou das sensações. Só há abandono material, porque há abandono imaterial, um se alimenta do outro. É corpo, é alma. As arquiteturas materiais do abandono podem ser as forças que nos sacodem para os abandonos imateriais. Como nas artes visuais ou na música, que atravessam nossos corpos. Abandonos também são capazes de desencarnar dos corpos arquitetônicos e habitar a fronteira, o escape, a fuligem.
Num primeiro momento, apenas uma casa abandonada, em qualquer lugar, vizinha a tantas outras, nossa vizinha. Por ela, passamos todos os dias, caminhamos pela rua, a qual também acumula a sujeira, os restos, o capim. Tudo ao redor dessa casa, saindo pelas frestas, ruindo o reboco. A casa lar que antes abrigava uma família, agora se abre aos desabrigados, aos vagabundos, aos bandidos. Abandona-se ao bando.
Uma fábrica abandonada ou uma fábrica que abandonou muitos, uma enorme massa construída, onde o trabalho parou, mas sente-se ainda o movimento dos operários e o som das máquinas. Das máquinas enferrujadas que não produzem mais nada, apenas as carcaças envoltas em teias de aranha, recoberta por muita poeira. A poeira que entra pela boca, que resseca, que nos cega a vista, que esfuma. Fábrica abandonada por todos, mas que deixa toda a sujeira para trás, dos restos radioativos que podem provocar doenças, até os resíduos que servem de ganha pão para outros. Tudo arruinando e curando: fábrica, máquinas, resíduos, pessoas.
Todo o resíduo e entulho podem escorrer, migrar de um lugar para outro, pingar, deixar-se levar, contaminar o que não é abandonado, assim como o movimento de abandonar, de deixar alguma coisa em detrimento de outra. No edifício, a função vai embora e fica a forma abandonada.
Matar ou curar. Finito e infinito ao mesmo tempo. O tempo dos abandonos pode ser longo como o de uma ruína ou rápido como o de uma implosão. Difícil de ser medido e quantificado. Tudo pode ocorrer numa fração de segundos ou lentamente, como se não passasse de uma longa espera. Abandonar é largar a deterioração ao apodrecimento, ao mofo.
Também um resto de parede que teima em ficar de pé, que teima em permanecer. Mesmo com a chuva e o vento que lavam, dentro e fora, teimem em abatê-la. Uma ruína, um resto arruinado, não aquela ruína histórica, mas uma ruína fruto da supressão da própria história. Uma superfície arenosa e abandonada, transformada em deserto em meio à vida cotidiana das cidades.
Uma cidade é repleta de abandonos, por todos os lados, e de abandonados também. Eles estão ali perambulando pelas ruas, pelas calçadas, adentrando edifícios abandonados, encontrando-se, cara a cara conosco, Ás vezes desviamos, pulamos sobre eles, os abandonados cheiram mal, faltam-lhes dentes, e todos os objetos de consumo que tanto ansiamos.
O campo de ação das arquiteturas do abandono é amplo e, muitas vezes, caótico, abarca a matéria e a imatéria. Abandonamos materialidades, prédios, ruínas, restos, objetos, coisas, tudo o que possamos tocar, roubar, quebrar ou assassinar. Tudo muito elementar, muito óbvio.
No entanto, abandonos são também imateriais, do campo, do que não podemos mensurar. O abandono imaterial é do campo dos sentidos, dos desejos ou das sensações. Só há abandono material, porque há abandono imaterial, um se alimenta do outro. É corpo, é alma. As arquiteturas materiais do abandono podem ser as forças que nos sacodem para os abandonos imateriais. Como nas artes visuais ou na música, que atravessam nossos corpos. Abandonos também são capazes de desencarnar dos corpos arquitetônicos e habitar a fronteira, o escape, a fuligem.
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- CLUBE DE BAIRRO E RESIDENCIA
- CONCLUSÕES
- PROJETAR...
- DENTRO DO LAZER
- CASA BLANCA...E VERDE E VERMELHA
- VARAIS
- A LOMBA É DÍMAIS
- LIXO...O QUE SAIRÁ DALI
- UMA VISÃO DE SÃO LOURENÇO DO SUL
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- MEU ABRIGO
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- ACASO...A CASA
- AL OTRO LADO DEL RIO
- DIALETO
- IMAGENS E SENSAÇÕES
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- SÃO LOURENÇO DO SUL
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- IMPRESSÕES