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sábado, 1 de novembro de 2008

GALPÕES DE RECICLAGEM E A UNIVERSIDADE



Lançamento da publicação
Pelotas, 14 de novembro de 2008


O livro organizado pelos arquitetos Eduardo Rocha e Fernando Freitas Fuão, reúne textos dos participantes do 1º. Encontro Galpões na Universidade, ocorrido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em maio de 2007.
Assim foi construído esse livro. Cada autor, cada Universidade, cada lugar, cada grupo de catadores, cada galpão, ainda que trabalhando de forma independente, cada um no seu nó, a partir de seus olhares e formas de imersão no mundo, jogaram na rede suas reflexões e suas experiências concretas. São arquitetos, educadores, filósofos, sociólogos, ambientalistas, assistentes sociais, odontologistas, que acabam por trabalhar numa perspectiva multi e interdisciplinar. Ficamos enredados numa teia de concepções que não dá mais para separar, desconstruímos as disjunções para construir as interações. Para construir a vida.
Artigos dos seguintes autores: Fernando Freitas Fuão, Bruno Euphrasio de Mello, Camila Bernadeli, Camila Rocha, Fernanda Schaan,Michele Rainmann, Ananda Kuhn, Nilton Bueno Fisher, Ademir José Zattera, Paulo Rogério De Mori, Suzana Maria De Conto, Larissa Nardini Carli, Liliana Brandelli Scopel, Sandra Regina Dalfovo, Sayonara Guaresi, Matheus Poletto, Fernanda Gelatti, Carina Soldera Quissini, Vania Elisabete Schneider, Neide Pessin, Ângela Rossana Ungaretti, Rosinha Machado Carrion, André de Oliveira Lopes, Clarissa M. de Lucena Santafé Aguiar, Carlos Renato Siqueira Gomes, Renato da Silva Della Vechia, Ana Julia da Rosa, Elizabete Farias Pinheiro, Fernanda Nunes Caldeira, Gisele Hillal, Janaina Guerra, Ricardo Severo, Solaine Gotardo, Tássia Schinof, Pierre Moreira dos Santos, Janaina da Silva Guerra, Marcos Kammer, Eduardo Rocha, Gabriela Fantinel Ferreira, Manoela Py Sostruznik, Papola Calderòn, Paula Alquati, Juliana Plá, Tatiane Nogueira, Márcia Cançado Figueiredo, Daniel Demétrio Faustino-Silva, Josiane Braga Sampaio, Ana Clara Braga Sampaio, Maria Dalva de Aguiar Braga e Juliana Veleda da Silveira.

Data e Horário
Sexta-feira, 14 de novembro, às 18 horas
Local
Feira do Livro de Pelotas, Estande da Editora e Gráfica da Universidade Federal de Pelotas [UFPel], Praça Cel. Pedro Osório, Pelotas, RS
Maiores informações:
Editora e Gráfica UFPel
Tel: [53] 32278411
E-mail: editoraufpel@uol.com.br

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O que são arquiteturas do abandono?

As arquiteturas do abandono compreendem desde edificações desabitadas, ruínas, restos de construção como também favelas, resíduos, sujeitos excluídos e tudo que até o desprendimento da matéria poderá nos levar a sentir e a pensar.
Num primeiro momento, apenas uma casa abandonada, em qualquer lugar, vizinha a tantas outras, nossa vizinha. Por ela, passamos todos os dias, caminhamos pela rua, a qual também acumula a sujeira, os restos, o capim. Tudo ao redor dessa casa, saindo pelas frestas, ruindo o reboco. A casa lar que antes abrigava uma família, agora se abre aos desabrigados, aos vagabundos, aos bandidos. Abandona-se ao bando.
Uma fábrica abandonada ou uma fábrica que abandonou muitos, uma enorme massa construída, onde o trabalho parou, mas sente-se ainda o movimento dos operários e o som das máquinas. Das máquinas enferrujadas que não produzem mais nada, apenas as carcaças envoltas em teias de aranha, recoberta por muita poeira. A poeira que entra pela boca, que resseca, que nos cega a vista, que esfuma. Fábrica abandonada por todos, mas que deixa toda a sujeira para trás, dos restos radioativos que podem provocar doenças, até os resíduos que servem de ganha pão para outros. Tudo arruinando e curando: fábrica, máquinas, resíduos, pessoas.
Todo o resíduo e entulho podem escorrer, migrar de um lugar para outro, pingar, deixar-se levar, contaminar o que não é abandonado, assim como o movimento de abandonar, de deixar alguma coisa em detrimento de outra. No edifício, a função vai embora e fica a forma abandonada.
Matar ou curar. Finito e infinito ao mesmo tempo. O tempo dos abandonos pode ser longo como o de uma ruína ou rápido como o de uma implosão. Difícil de ser medido e quantificado. Tudo pode ocorrer numa fração de segundos ou lentamente, como se não passasse de uma longa espera. Abandonar é largar a deterioração ao apodrecimento, ao mofo.
Também um resto de parede que teima em ficar de pé, que teima em permanecer. Mesmo com a chuva e o vento que lavam, dentro e fora, teimem em abatê-la. Uma ruína, um resto arruinado, não aquela ruína histórica, mas uma ruína fruto da supressão da própria história. Uma superfície arenosa e abandonada, transformada em deserto em meio à vida cotidiana das cidades.
Uma cidade é repleta de abandonos, por todos os lados, e de abandonados também. Eles estão ali perambulando pelas ruas, pelas calçadas, adentrando edifícios abandonados, encontrando-se, cara a cara conosco, Ás vezes desviamos, pulamos sobre eles, os abandonados cheiram mal, faltam-lhes dentes, e todos os objetos de consumo que tanto ansiamos.
O campo de ação das arquiteturas do abandono é amplo e, muitas vezes, caótico, abarca a matéria e a imatéria. Abandonamos materialidades, prédios, ruínas, restos, objetos, coisas, tudo o que possamos tocar, roubar, quebrar ou assassinar. Tudo muito elementar, muito óbvio.
No entanto, abandonos são também imateriais, do campo, do que não podemos mensurar. O abandono imaterial é do campo dos sentidos, dos desejos ou das sensações. Só há abandono material, porque há abandono imaterial, um se alimenta do outro. É corpo, é alma. As arquiteturas materiais do abandono podem ser as forças que nos sacodem para os abandonos imateriais. Como nas artes visuais ou na música, que atravessam nossos corpos. Abandonos também são capazes de desencarnar dos corpos arquitetônicos e habitar a fronteira, o escape, a fuligem.
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