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quinta-feira, 31 de maio de 2007

MONTAGEM IMAGENS CONCEITUAIS






Exposição Fotográfica
IMAGENS CONCEITUAIS
SÃO LOURENÇO DO SUL
PROJETO IX - FAURB/UFPEL

De 29 de maio a 12 de junho de 2007
O Projeto arquitetônico e de desenho urbano realizado em São Lourenço do Sul, no bairro denominado “A Lomba”, vem buscando imagens conceituais para o desenvolvimento de seus projetos. O grupo vem produzindo uma série de imagens conceituais, a partir de desenhos, textos, fotografias digitais, colagens, assemblages, maquetes, performances e vídeos. As imagens conceituais são imagens que não admitem silêncio. São imagens que estão eternamente ligadas, o tempo todo, falando coisas sem sentido. São imagens que devassam. Como a voracidade do tubarão, assinalada por José Miguel Visnik, porque o tubarão não tem pálpebras. Então são imagens que ficam eternamente de olho aberto, ligadas. Essas imagens cartografadas são conteúdos para mapas conceituais e mentais, que em breve irão transmutar-se em mapas visuais, ou projetos. Precisamos fazer pensar. O que me faz pensar a arquitetura. O que? Como? Por quê? Para que? Onde? Quando? Quem? Daí emerge um conhecimento do sensível, de perceptos e afectos. Criando conceitos mais próximos da filosofia de Adorno - do não idêntico, do que não cabe a esquemas prévios, do que os da tradição intuicionista de Bérgson ou Husserl. Pretendemos pelo conceito, ultrapassar o próprio conceito. Assim como na arte conceitual de Marcel Duchamp, onde o conceito ou a atitude mental tem prioridade em relação a aparência da obra. Para Deleuze: Criar é ter uma idéia. É muito difícil ter uma idéia. Há pessoas extremamente interessantes que passaram a vida inteira sem ter uma idéia. Pode-se ter uma idéia em qualquer área. Não sei onde não se devem ter idéias. Mas é raro ter uma idéia. Não acontece todo o dia. Um arquiteto tem tantas idéias quanto um filósofo, mas não se trata do mesmo tipo de idéia. O arquiteto é uma pessoa que pode criar perceptos. Os perceptos fazem parte do mundo da arte. O que são perceptos? Perceptos não são percepções. Percepto é um conjunto de sensações e percepções que vai além daquele que sente. De certa forma um percepto torçe os nervos e podemos dizer que os impressionistas inventaram os perceptos. Cézanne disse uma frase que acho muito bonita: “é preciso tornar o impressionismo durável”. Ele quer dizer que o percepto adquiriu uma certa autonomia, ainda maior. É o que se pode chamar de afectos. Não há perceptos sem afectos. Os afectos são os devires, são devires que transbordam daquele que passa por eles, que excedem as forças. São potências. Isso é possível na arquitetura?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

CÓMO HACER CINE

Alejandro Jodorowsky

PRIMERA LECCIÓN
Sentarse desde que amanece hasta que anochece frente a un árbol sintiendo la luz. Volver siete días seguidos y hacer lo mismo.
SEGUNDA LECCIÓN
Volver en la noche con una linterna e iluminar el árbol desde infinitos puntos.
TERCERA LECCIÓN
Colocarse a un kilómetro del árbol. Mirarlo fijamente y avanzar centímetro por centímetro hacia él hasta que después de algunas horas se tope la corteza con la nariz.
(Las dos primeras lecciones sirven para desarrollar el sentido de la luz. La tercera para desarrollar el sentido de la distancia.)
CUARTA LECCIÓN
Colocarse en un interior o paisaje y moverse pensando que el propio pecho fotografía, luego que la cara fotografía, luego el sexo, luego las manos.
QUINTA LECCIÓN
Ponte en un lugar y siente que eres el centro de él. Luego siente que estás siempre en la superficie alrededor del lugar. Al final rompe la idea de centro y superficie. Estás ahí, todo está en ti y fuera de ti al mismo tiempo. Eres aparte del lugar. Existe el lugar. ¡Tú has desaparecido!
SEXTA LECCIÓN
Busca el color en lo que no tiene color. Toma una página blanca y ve sus colores. Toma una página negra y ve sus colores. Ve los colores de un vidrio transparente. Descubre el arco iris en un pedazo de tierra, en un escupo, en una hoja seca. Expresa el color con materiales sin color. En verdad te pregunto, ¿sabes cuántos colores tiene la piel de tu cara?
SÉPTIMA LECCIÓN
Siente las yemas de tus dedos como si fueran la punta de tu lengua. Apoya las yemas en los objetos del mundo pensando que son frágiles, que la menor presión los puede quebrar. Pídeles permiso antes de tocarlos. Antes de apoyar los dedos en su superficie, siente cómo penetras en su atmósfera. Aprende a sentir y a acariciar con respeto. Cualquier acción que hagas en el mundo con tus manos o tu cuerpo puede ser una caricia.OCTAVA LECCIÓNPiensa que los actores viven dentro de un cuerpo como centro de una caverna. Pídeles que no griten con su boca, sino dentro de su boca. Que no expresen con la cara, sino que sientan debajo de la cara. cuando me desespero, desde adentro, doy puñetazos dentro de mi pecho que está inmóvil frente a la cámara. No me expreso con movimientos, sino con vibraciones. Vivo debajo de la superficie. La superficie del río no se mueve, pero tú sabes que lleva corrientes profundas.
NOVENA LECCIÓN
No importan los movimientos de la cámara. Ella debe moverse sólo cuando no se puede quedar quieta. Tú llevas el alimento en la mano. La cámara es un perro. Hazla que con hambre siga al alimento. El hambre hace que el animal se borre. No hay perro, hay hambre, no hay cámara. Hay acontecimientos. Nunca te puedes comer la manzana entera en el mismo instante. Tienes que dar mordiscos. Mientras comes tienes una parte. Debes saber que el trozo que mascas no es la manzana entera. Nunca puedes tener la manzana entera en la boca porque por muy grande que sea tu boca, no puede caber en ella el fruto que es parte del árbol ni el árbol que es parte de la tierra. La pantalla es tu boca. Allí entran pedazos. Partes del accidente. No intentes trabajar con tomas absolutas. No creas que existe la toma mejor. A la manzana la puedes morder en cualquier sitio. Si la manzana es dulce, no importa por dónde empieces a comerla. Preocúpate de la manzana, no de tu boca. ¡Cineasta! Antología de fragmentos, tú también un fragmento; tu película inconclusa, eres parte, eres continuación. No hay cierres. Mata la palabra fin. Empezarás una película el día en que te des cuenta que simplemente continúas. No busques el prestigio. Desdeña los efectos. No adornes. No pienses lo que la imagen va a producir. No la busques. Recibe las imágenes. La caza está prohibida. La pesca permitida.
DÉCIMA LECCIÓN
Nunca trabajes en el papel tus movimientos de cámara. Llega a los sitios pensando que no vas a mover la cámara, que no vas a iluminar, que no vas a inventar. Llega vacío, sin la menor intención. Echa a andar el motor de la cámara y vive. No crees escenas, crea accidentes. Esos accidentes no los crees en dirección a la cámara. Tú no estás haciendo una película, estás metido en un accidente. Parte del accidente son tus movimientos de la cámara.
DÉCIMO PRIMERA LECCIÓN
Y de pronto el gran placer. Una toma pensada con la cámara opinando con luz artificial, con "Actuaciones" (¡un verdadero postre!).

En verdad te digo, por este camino puedes llegar a hacer películas de Hollywood de los años 40. si quieres ser un gran cineasta de vanguardia, vuelve a filmar "Lo que el viento se llevó", exactamente igual, con actores de cuerpos gemelos a los de Clarck Gable y Vivien Leigh. Si logras que tu películas no pueda distinguirse de la original, has pasado a la historia.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM:

quarta-feira, 23 de maio de 2007

IMAGENS CONCEITUAIS


Exposição Fotográfica

FAURB/UFPEL DE 29 DE MAIO A 12 DE JUNHO DE 2007

ALUNOS DA DISCIPLINA DE PROJETO DE ARQUITETURA IX

terça-feira, 22 de maio de 2007

CEGOS DO MUNDO

Gabriel Fernandes

Diante da dor que já vi
Sussurros, choros e lagrimas
Pergunto para ti que és sábio
Que usa razão,
Aquela sem coração
Filosofo de flores de caixão
Como acabar com esse sofrimento?
A dor do mundo
Dar um alento?
São os africanos, os hospitais, a guerra do sangue negro
E o pior que tem mais
Torna o mundo até pequeno
O sábio respondeu
Feche os olhos
E só os abra quando for de interesse seu...
Até que um dia o sábio morreu
Os cegos sabem da dor
Á sentem
Por mais tarde que for.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

DESTRUÍNDO CLICHÊS E FERIDAS: relato de uma experiência

Gabriela Fantinel Ferreira

Antes da pesquisa “Lugares do Abandono: roteiro para um filme da cidade de Pelotas” observava apenas clichês pelos lugares por onde andava ... Mas o que são clichês na vida urbana, no cotidiano??? Para entender isso, é preciso, primeiramente, entender o que clichê significa.
Segundo Deleuze os clichês são imagens fundadas em princípios de ação e reação, e que, diante disso, não percebemos o todo, mas sempre partes do todo. Poderíamos, então, fazer uma analogia onde as nossas vidas seriam filmes, nos quais nós seriamos os atores principais e as cenas desse filme os fatos e os lugares por onde estivemos durante a nossa vida; e ao relembrar, das cenas e dos cenários em que havíamos atuado, criássemos na nossa mente “trailers” desses momentos, pois só conseguimos absorver parte das cenas, e não o todo, pois não tivemos tempo de vivenciá-las e observa-las outras vezes e de outros ângulos. Com isso, poderíamos dizer que esses “trailers” do que vimos, vivemos e sentimos no nosso filme são os clichês. Os clichês são os elementos que nos causam uma reação imediata, por serem, para nós, mais óbvias; e justamente por isso tornam-se clichês.
Logo, com a idéia de clichê em mente e trazendo-a para o contexto da experiência com o abandono nos diversos locais por onde ando, posso sentir uma mudança na minha percepção do entorno, da cidade, do mundo, dos lugares. Agora não sou indiferente a essa realidade, tudo é percebido, analisado, captado e capturado pelas lentes da minha câmera, que, muitas vezes, é apenas a câmera da minha mente; assim, fico analisado tudo que acontece nas ruas, nos prédios, nas estradas, nos campos, tudo se torna motivo de reflexão.
Poderia dizer que estou buscando destruir os meus clichês, no que diz respeito ao abandono. Ah.. e como existem clichês nas ruas.. não é verdade?! As pessoas ignoram tudo que pode lhes causar desconforto, como um indigente, o lixo nas ruas, os prédios históricos que estão prestes a desabar, as ruínas, uma arquitetura feia, o descaso com a cidade, os prédios abandonados, os animais famintos, o esgoto, as depredações, entre tantas outras coisas.
Esses abandonos são feridas, as feridas que as pessoas não querem ver, mas sim fazer de conta que elas não existem. E essas feridas são os lugares, as arquiteturas de onde podem brotar novas vidas, as quais estão morrendo, devido ao descaso das pessoas; essas feridas estão dadas ao acaso. Os indivíduos estão tão absortos no seu mundo, nas suas tarefas e desejos, que não são capazes de perceber o que se passa ao seu redor; muitos andam pelas ruas sempre pelo mesmo caminho e nunca perceberam que nesse trajeto tinha um prédio abandonado, um terreno baldio.. elas simplesmente caminham em direção ao seu objetivo, só enxergando o que querem ver.
Como ser indiferente a tanto abandono, em todo lugar existe alguma forma de abandono, e nós somos os agentes diretos ou indiretos de todo esse caos. O mundo, e não só as ruas das cidades, estão abandonados ao acaso e se tudo continuar assim chegará o dia em que só existirá o abandono, as feridas.
Ao realizar essas viagens a alguns locais da cidade de Pelotas percebi que nunca havia reparado em tantas coisas na minha cidade, como eu era bitolada!!! Mas mesmo hoje tendo um olhar crítico para o entorno, muitas vezes, é preciso ver e rever esses locais para sentir outras coisas, por isso a importância dos vídeos existirem e serem editados por nós com visões diversificadas. Cada indivíduo tem um jeito de ver o mundo diferente do dos outros e, muitas vezes, nós mesmos temos idéias diferentes do que as que tivemos anteriormente.
Na verdade, acredito que as imagens falam mais do que as palavras, porque nelas tudo é revelado e são formadoras de opiniões, pois deixam o observador livre para sentir o que se passa nelas. Diante isso, acredito que sejam muito importantes esses registros ocorrerem em forma audiovisual, pois mostram o movimento, a inércia, os sons – só seria mais perfeito se revelassem os odores também - enfim tudo o que acontece, e estão à disposição do observador quantas vezes ele achar necessário perceber, sentir, refletir, criticar etc.
Hoje observo: as ruínas, as plantas que brotam dela – como a natureza é complexa, forte e capaz, pois sempre que vejo isso fico pensando como é possível uma figueira brotar em uma rachadura de um prédio e a sua raiz ir buscando água, não importando o quão longe e de difícil acesso ela esteja? Como algo tão abandonado, sem vida como um prédio em ruínas, pode possuir tanta vida, tanta natureza brotando, literalmente, das suas entranhas? Observo, ainda, as pessoas, como suas reações e atitudes diante do abandono; os animais, por onde andam, o que comem, como sobrevivem abandonados; o lixo, principal reflexo do descaso dos agentes, da falta de educação, da péssima cultura da população - maioria não se preocupa com a sujeira da cidade-; os prédios depredados, sujos, sem manutenção; as calçadas, repletas de obstáculos para as pessoas, e a falta de acessibilidade para os portadores de necessidades especiais, outros abandonados pela sociedade; enfim são tantos os tipos de abandono que pode-se dizer que, possivelmente, sempre se pode descobrir uma nova forma de abandono e mais uma maneira de destruir o obvio, o clichê.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

1 ENCONTRO GALPÕES NA UNIVERSIDADE













Gostaríamos de agradecer a todos pela presença e participação no, 1 ENCONTRO GALPÕES NA UNIVERSIDADE, realizado no último sábado, em especial aos presentes:

Nilton Fischer, Paula Alquati, Tatiane Nogueira, Solaine Gotardo, Janaina Guerra, Camila Bernanrdelli, Paulo De Mori, Sayonara Guaresci, Liliana Scopel, Larissa Carli, Sandra Dalfono, Eduardo Taufer, Ângela Ungaretti, Clarisse Gonçalves, Alexander Webber, Bruno de Mello, Márcia Cançado, Clarissa Aguiar e Beatriz Dorfman e Giovana Santini.

Em breve, lançamento de publicação com textos enviados para o evento.

POR FAVOR DEIXEM SEUS COMENTÁRIOS E SUGESTÕES PARA UM PRÓXIMO ENCONTRO AQUI NO BLOG.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO 'ESPIANDO A PAISAGEM DE PELOTAS'



DE 09 A 23 DE MAIO NA FAURB/UFPEL. PELOTAS. RS.

A EXPERIÊNCIA DO OLHAR

Manoela Py Sostruznik

Participar da pesquisa “Arquiteturas do Abandono: roteiro para um filme na cidade de Pelotas” excita a forma de perceber a cidade, a paisagem urbana e todos seus correspondentes de uma outra maneira, distinta da que vinha acontecendo até então.
Analisar os territórios, as fronteiras, os usuários-agentes, os usuários-não agentes, os sons, os ritos, os mitos de cada espaço faz aguçar os sentidos e as reflexões diariamente. Faz perceber o ocupar e desocupar de cada “cenário” urbano existente, as relações mutualísticas entre humanos e seus lugares e não-lugares.
A prática da pesquisa, do espaço que compreende a Praça Coronel Pedro Osório e seu território de abrangência, ou seja, viagens em busca de registros que traduzissem o nosso olhar sobre o lugar de forma fílmica não foram muitas em formato de grupo. No entanto foram o suficiente para “fisgar” a percepção sobre aquele espaço constituído e desconstituído simultaneamente. Uma nova experiência de olhar fixou-se, de forma que sair em busca de pichações, janelas vedadas, tijolos no lugar de portas, árvores em telhados, telhados destelhados, lixo, calçadas mal tratadas, bagas de cigarro, árvores caídas, homens caídos, é o que acontece hoje. Saio em busca de imagens que traduzam um novo olhar criado sobre limites territoriais pelos quais circulo.
Alguns percursos são cotidianos, rotineiros, outros crio por curiosidade para descobrir novos territórios. Estes são diferentes, mas são iguais, eles se interseccionam nas semelhanças dos diferentes, esta diferença que instiga, pois esta fora da normalidade convencionada, a diferença de ser abandonado que o exalta, que questiona, que cria a reflexão.
Muitas das viagens pelos territórios não são registradas de forma que outros possam ver o que percebo, mas já é possível descrever a existência dos lugares e suas peculiaridades, já se percebe as cores e os sons característicos de cada volume determinado.
Esse olhar distinto, não mais anestesiado e conformado, olhar que busca o singular, que busca respostas, olhar que registra o que muitos não vêem, pode acontecer em qualquer local do planeta, sempre haverá os territórios, seus agentes, suas especificidades, e tudo vai formando uma teia de relações indiretas correspondentes, e assim uma poesia escrita no Centro Histórico de Santos-SP, pode vir a traduzir essa percepção atual da paisagem urbana de Pelotas ou de qualquer lugar que se busque o abandono.

“ladrão de lâmpada é filho de vaca”
São paredes sem luz
É a um escuro que conduz
Tem cheiro de resto de galinha
Tem cheiro de resto de comida
Tem cheiro de resto de alegria
É cinza o asfalto, o ladrilho ali na esquina
É cinza a barba daquele
Que vi na quina
Tem casa na calçada
Tem árvore no teto da casa
Tem gente deitada por todo canto
Tem história de vida e muito pranto
É o barco, o trem, a bicicleta, o carro
Que passa por estes lados
Tem gente nova que chega e percebe
O que por aqui fica?
“o ladrão de lâmpada que é filho de vaca”?
Ou um novo projeto de vida?

(Santos - São Paulo,manhã de 09/01/07)

Que mais pessoas possam experênciar um novo olhar sobre a cidade, que consigam perceber suas barreiras, sua fronteiras, seus traumas urbanos e consigam se perceber como agentes diretos dessa paisagem em constante modificação.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

quarta-feira, 2 de maio de 2007

ESPIANDO A PAISAGEM DE PELOTAS



















EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA

FAURB/UFPEL

de 9 a 23 de maio

ARQUITETURAS DO ABANDONO: OS AGENTES DA ARQUITETURA

Paula Alquati e Papola Calderòn

A temática do abandono da arquitetura é algo transcendental, que toma proporções que extrapolam o espaço físico e se manifestam de maneira psicológica e social no espaço da cidade. Um espaço de abandono é mais que um espaço de exclusão, é um loco de reprodução de uma postura social calcada em carências. Carência de espaços de qualidade, carência de cuidados, carência de estrutura, carência estilística, entre outras.
É nesse contexto de carências que aparecem os agentes do abandono. Os agentes são os responsáveis diretos ou indiretos para que esse abandono se produza e se reproduza no contexto da cidade.
A arquitetura se consolida numa via onde, por um lado, é construída por pessoas, com a finalidade de abrigo e bem estar social. Por outro, se consolida como uma relação dicotômica, ao passo que ao mesmo tempo em que se ampliam os estoques construídos, se amplia a exclusão social na cidade, se amplia o número de abandonados. Abandonados pelas políticas públicas, abandonados pela vida privada; pessoas sem rumo, sem chão, que vivem às margens do convencionalmente aceito, às margens de nossa arquitetura.
Mas abandonado, marginal, também é tudo aquilo que não aceita as regras da cidade; também é aquele que não se adapta, que subverte as leis e a ordem; que não se encaixa nas duras posturas do convencional, o liberto das convenções.
Nesse sentido, surge uma arquitetura das margens, uma arquitetura que deve ser desbravada, entendida, conceituada. Que deve deixar de ser invisível e partir para o conhecimento de todos.
A arquitetura do abandono nos reflete em feridas da cidade, em lugares e pessoas esquecidas, relegadas, algo que vemos, mas não enxergamos, algo que os sentidos acostumaram-se a ignorar, como algo invisível na paisagem, parte de uma vida que não se percebe.
Além disso, ela faz parte das construções efêmeras da cidade, daquilo que é passageiro, transitório, que está fora de lugar. Ela e seus agentes.
A partir da cartografia, é possível analisar esses fenômenos que fazem parte da construção social da cidade, a partir de uma observação que com ela interage, quase devorando-a. A cartografia estuda o território, porém não como um algo restritamente geográfico, segundo Deleuze, território compreende a idéia de espaço, mas não consiste na delimitação objetiva somente de um lugar geográfico. O valor do território é também existencial, ele circunscreve, para cada um, o campo do familiar e do vinculante, marca as distâncias em relação a outrem e protege do caos. O território distribui um fora e um dentro. O território é uma zona de experiência.
Cartografando certas zonas da cidade a partir de recursos áudio visuais, é possível registrar as o abandono de diversas formas. Visualizar as pessoas, os animais, toda aquela porção viva e não estática que também faz parte do território e que está ali todos os dias interagindo com ele. Um território vivo ou agonizante, claro ou escuro, relegado, mas sem que se perca a esperança que um dia isso ressurja, tome força, reviva no seio da sociedade, tome força.
A partir dessas análises e registros áudio visuais, é possível transformar o abandono em arte, em cultura, em algo forte, pesado, onde é possível lançarmos o olhar e questionar, estranhar, querer mudar ou perpetuar de vez essa porção esquecida do olhar animal.

ABANDONO: FENÔMENO URBANO

Tatiane Nogueira

Fenômeno urbano? O abandono parece ser mais do que um fenômeno arquitetônico ou urbano. O abandono se espraia entre os tais campos tão distantes no dia-dia da maioria dos arquitetos: arquitetura, paisagismo, urbanismo. Edifícios apresentam sinais que parecem contaminar abrangendo uma escala maior e conferindo toda uma paisagem característica. Nos lugares do abandono os três vértices são uma mesma coisa. Confundíveis. É uma arquitetura sem limites, sem contornos, sem agente determinado ou único, mas essa arquitetura está lá. Pouco discutida, pouco entendida. Parece morta, mas tem vida nos vestígios de vegetação que brotam nela!
Essa arquitetura renegada também nos desperta pela sua beleza. Em um processo de conhecimento desses lugares passa-se do feio, pelo medo, a insegurança, a incerteza, a curiosidade, a novidade, e passa-se a encontrar beleza nas fotos, nos vídeos... Se não é beleza, é talvez um sentimento mais profundo ainda, que nos toca mais fundo que um belo projeto de arquitetura. Tem consigo um apelo emocional. Essa arquitetura é de todos nós e não tem dono. É feia e bela. E sentimos curiosidade de olhar através de muitas cascas vazias. Para encontrar o quê? O que procuramos na arquitetura? O que criamos com a arquitetura?
O fenômeno dessa arquitetura que não parece ter fronteiras, atinge diversas escalas, diversas formas, diversos lugares... Existe alguma cidade em que não vejamos sinais de abandono? Será que esses espaços são elementos das cidades? Será que as relações sociais das cidades geram sempre espaços do abandono?
Uma sensação de descaso, de desapego,... E, ao mesmo tempo, de liberdade. Lugares os quais aspecto visual nos parece transmitir uma sensação de que não é seguro, mas que ao mesmo tempo provoca uma liberdade que permite agir, pichar, quebrar, sujar,...
O estudo dessas arquiteturas leva a uma visualização estreita das implicações da arquitetura com a sociedade, o ser humano, a vida... O que é certo ou ideal? Existem conceitos ou implicações da arquitetura que ainda fogem o nosso conhecimento? Nesse sentido esse estudo levanta um olhar questionador do arquiteto sobre a sociedade, sobre a sua atuação, sobre as conseqüências do que estamos criando.
A arquitetura, o mundo, criou não só o ambiente construído em que vivemos, mas também conceitos. Conceitos do que é bom, do que é bonito, do que é certo. E o que não se encaixa nestes conceitos é feio, é ruim e é pobre. São imagens, são clichês, que persistem tão fortemente na nossa cabeça e que parecem justificar um olhar tão assustado, estranhado, sobre essa arquitetura do abandono e que nos levam, como agentes criadores deste meio, a repensar...

terça-feira, 1 de maio de 2007

RELATO DE UMA EXPEDIÇÃO AO ABANDONO

Juliana Plá

E foi assim, com o trajeto marcado, as armas com pilhas que saímos. Caminhamos em busca do território desconhecido. Em busca da fronteira que poucos ousam atravessar ou diluir. O intuito não era destruir, e sim tomar posse, conhecer, sentir; saber o porquê.
As dúvidas surgiam junto com o medo, afinal ali é o desconhecido, será terra de ninguém? E se o ninguém não gostar dessa ilustre visita. Não, não pode, afinal nós somos os descobridores, nós possuímos o conhecimento, nós e toda uma montanha de gente que simplesmente usa, que suga, o que pode e que como animais coleciona sensações e memórias de mais um estar na sociedade.
Bem, a missão era clara, mas a linha de chegada não. Perguntar não adianta, é muito subjetivo. Subjetivo, esta é a resposta, sentir o troféu, este seria o radar.
Então começamos, mas só o sentir? Bom quem sabe então algumas regras... Ok!
Primeiro, nada de agentes, segundo devem existir objetos sem dono, alguma coisa que niguém gostaria de ter e terceiro o tempo não deve reinar. Pronto, agora vai...
Achamos. O nojo e a admiração por aquele universo são sensações bem presentes. E como descobridores que somos, domamos o bicho e sem perder tempo o exibimos, NÚ. Não havia mais o berço que o tornava palpável. E assim todos o possuíam e o admiravam, inclusive teorias sobre sua existência surgiram e foram aplaudidas.
Bem, missão cumprida.
Mas e se... e se.. Não tudo errado!
O que foi que nós fizemos então? Começa outra expedição, mas agora sem caminhadas físicas, somente as do consciente e como convidado o inconsciente.
Vamos analisar. Por que ele é o que é, e aquele não é? As regras estão confusas agora. Por que usar uma única medida para classificação? Vamos mudar a escala.
Nada de agentes, mas que agentes? Os próximos a mim, é claro. Pois bem quando eles deixam o espaço, este é tomado por seres ditos não agentes, termo esse destinado àqueles que não vestem as ordens do social, são maltrapilhos. Mas, e se eles tiverem suas próprias vestes? Então são agentes. Sim, agentes. Pois bem como agentes formam regras, se formam regras formam mundos, mas onde? No bicho, no ABANDONO.
Huuum... se eles formam eles possuem, pois bem a primeira e a segunda regra acabam de ir por água a baixo. Mas ainda existe a do tempo, sim, nem tudo está perdido... até porque me lembro de ter chegado lá e enquanto estava lá ouvi sons estranhos, senti um cheiro desconhecido. Mas nada de tempo!
É nada de tempo.
Mas se enquanto eu estava lá aconteceram coisas... puts, existe o tempo! É já era.
O abandono não existe. Mas então, por que a lenda?
A resposta é simples e a encontrei em um texto de um arquiteto: “[...] esse processo doentio e viral que obriga o homem a mutilar sua visão cegar-se ante a impotência de ajudar ao próximo, de mudar as coisas, o mundo” (FUÃO, 2006).
Ainda podemos completar com outro fragmento poético: “O lixo não era o fim da vida, mas o seu recomeço. Ele parecia demonstrar que a vida não tem fim. O lixo nunca era o fim. Dali a vida recomeçava, organizava-se novamente” (MONTENEGRO, 2007).

O que são arquiteturas do abandono?

As arquiteturas do abandono compreendem desde edificações desabitadas, ruínas, restos de construção como também favelas, resíduos, sujeitos excluídos e tudo que até o desprendimento da matéria poderá nos levar a sentir e a pensar.
Num primeiro momento, apenas uma casa abandonada, em qualquer lugar, vizinha a tantas outras, nossa vizinha. Por ela, passamos todos os dias, caminhamos pela rua, a qual também acumula a sujeira, os restos, o capim. Tudo ao redor dessa casa, saindo pelas frestas, ruindo o reboco. A casa lar que antes abrigava uma família, agora se abre aos desabrigados, aos vagabundos, aos bandidos. Abandona-se ao bando.
Uma fábrica abandonada ou uma fábrica que abandonou muitos, uma enorme massa construída, onde o trabalho parou, mas sente-se ainda o movimento dos operários e o som das máquinas. Das máquinas enferrujadas que não produzem mais nada, apenas as carcaças envoltas em teias de aranha, recoberta por muita poeira. A poeira que entra pela boca, que resseca, que nos cega a vista, que esfuma. Fábrica abandonada por todos, mas que deixa toda a sujeira para trás, dos restos radioativos que podem provocar doenças, até os resíduos que servem de ganha pão para outros. Tudo arruinando e curando: fábrica, máquinas, resíduos, pessoas.
Todo o resíduo e entulho podem escorrer, migrar de um lugar para outro, pingar, deixar-se levar, contaminar o que não é abandonado, assim como o movimento de abandonar, de deixar alguma coisa em detrimento de outra. No edifício, a função vai embora e fica a forma abandonada.
Matar ou curar. Finito e infinito ao mesmo tempo. O tempo dos abandonos pode ser longo como o de uma ruína ou rápido como o de uma implosão. Difícil de ser medido e quantificado. Tudo pode ocorrer numa fração de segundos ou lentamente, como se não passasse de uma longa espera. Abandonar é largar a deterioração ao apodrecimento, ao mofo.
Também um resto de parede que teima em ficar de pé, que teima em permanecer. Mesmo com a chuva e o vento que lavam, dentro e fora, teimem em abatê-la. Uma ruína, um resto arruinado, não aquela ruína histórica, mas uma ruína fruto da supressão da própria história. Uma superfície arenosa e abandonada, transformada em deserto em meio à vida cotidiana das cidades.
Uma cidade é repleta de abandonos, por todos os lados, e de abandonados também. Eles estão ali perambulando pelas ruas, pelas calçadas, adentrando edifícios abandonados, encontrando-se, cara a cara conosco, Ás vezes desviamos, pulamos sobre eles, os abandonados cheiram mal, faltam-lhes dentes, e todos os objetos de consumo que tanto ansiamos.
O campo de ação das arquiteturas do abandono é amplo e, muitas vezes, caótico, abarca a matéria e a imatéria. Abandonamos materialidades, prédios, ruínas, restos, objetos, coisas, tudo o que possamos tocar, roubar, quebrar ou assassinar. Tudo muito elementar, muito óbvio.
No entanto, abandonos são também imateriais, do campo, do que não podemos mensurar. O abandono imaterial é do campo dos sentidos, dos desejos ou das sensações. Só há abandono material, porque há abandono imaterial, um se alimenta do outro. É corpo, é alma. As arquiteturas materiais do abandono podem ser as forças que nos sacodem para os abandonos imateriais. Como nas artes visuais ou na música, que atravessam nossos corpos. Abandonos também são capazes de desencarnar dos corpos arquitetônicos e habitar a fronteira, o escape, a fuligem.
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