O que são arquiteturas do abandono?
Arquiteturas do abandono são feridas. Ferimentos que não queremos ver. A ferida é o lugar, a arquitetura de onde pode brotar uma nova vida, é como se estivéssemos colocando a vida de lado, sem sentido, desviando, morrendo.
Poderíamos dizer que os abandonos da arquitetura fazem parte de uma representação indecidível na cidade, são constituídas de metáforas (desviam-se da origem plena, tem algo de tropo) e do conceito (dispõe de uma regularidade mínima e de um funcionamento que simulam a atividade conceitual). Os indecidíveis são os operadores de leitura que marcam o limite mesmo filosófico, sinalizando aquilo que o torna limítrofe dos discursos que lhe são afins e concorrentes – a poesia, a escrita em geral, a pintura e todas as artes miméticas. É uma arquitetura viva e morta, aberta e fechada, interna e externa, publica e privada, os limites se esfumam.
Podem ser entendidos tanto como um prédio abandonado no centro da cidade, uma ruína, como também sendo a moradia de uma família abandonada na periferia da cidade, tanto um espaço largado a ermo como um espaço livre das leis ditadas pela polis.
O abandonado antes de tudo é aquele que foge as regras, deixando que o excluído se retire da exceção. A exceção é uma espécie de exclusão. O abandonado por sua vez é aquele liberto das leis tradicionais, das arquiteturas acadêmicas, das normativas. Embora livremente crie as suas próprias formas de viver espaciais e temporais, seus espaços, seus cantos, suas portas.
LUGARES DO ABANDONO: roteiro para um filme da cidade de Pelotas
Pesquisa realizada pelo grupo de pesquisa "Arquiteturas do Abandono", desde setembro de 2006. Que tem como objetivo geral analisar e discutir as causas que levam a existência de arquiteturas abandonadas na cidade de Pelotas, percebendo como as políticas da pós-modernidade vêm alterando os tempos e os espaços das representações arquitetônicas e urbanas a partir de um olhar cartográfico.Esta abordagem foi escolhida por apresentar as condições para um estudo que pretende se aventurar no campo das arquiteturas efêmeras, passageiras. Uma arquitetura abandonada está em estado de abandono, isso não quer dizer que de uma hora para outra ela não volte à vida, ressurja, reviva, ou venha a extinguir-se. A cartografia, nesse caso, acompanha, e se faz ao mesmo tempo que o desmanchamento de certos mundos - sua perda de sentido - e a formação de outros: mundos que se criam para expressar afetos contemporâneos, em relação aos quais os universos vigentes tornaram-se obsoletos. Sendo tarefa do cartógrafo dar língua para afetos que pedem passagem, dele se espera basicamente que esteja mergulhado nas intensidades de seu tempo e que, atento ás linguagens que encontra, devore as que lhe parecerem elementos possíveis para a composição das cartografias que se fazem necessárias. O cartógrafo é antes de tudo um antropófago.Cartografamos paisagens pscicossocias e territórios, considerados como lugares do abandono, espaços de movimentos livres, em um constante desterritorializar, e um reteritorializar, em si mesmo. Território segundo a filosofia de Deleuze, por certo compreende a idéia de espaço, mas não consiste na delimitação objetiva somente de um lugar geográfico. O valor do território é também existencial, ele circunscreve, para cada um, o campo do familiar e do vinculante, marca as distâncias em relação a outrem e protege do caos. O território distribui um fora e um dentro. O território é uma zona de experiência.A questão é procurar conhecer essas arquiteturas, viajar para conhecê-las e em seguida discutir porque existem ou resistem? Quais são e o que são afinal os espaços do abandono na cidade de Pelotas?
ARQUITETURAS DO ABANDONO: lugares incertos e tempos indefinidos na era das representações digitais
Tese de doutoramento, do arquiteto Eduardo Rocha, em desenvolvimento junto ao Programa de Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Arquitetura (PROPAR) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), junto à área de conhecimento: projeto de arquitetura e urbanismo/fundamentos teórico-práticos do projeto, para orientação do Prof. Dr. Fernando Freitas Fuão. A idéia é investigar a existência de espaços do abandono em grandes centros urbanos em lugares aonde a arquitetura acadêmica não chega, não existe, acreditando que as novas tecnologias da informação e da comunicação podem ser capazes de institucionalizar o esquecimento e não privilegiar a reflexão, o debate e o exercício da memória, ou seja, provocar o nascimento de novos espaços arquitetônicos. O objetivo geral de analisar e discutir as causas que levam a existência de arquiteturas abandonadas em grandes centros urbanos brasileiros, realizando uma aproximação entre a arquitetura e a filosofia. Trata-se de olhar a arquitetura como um espaço-movimento (arquitetura-corpo) de constantes territorializações, produzindo lugares incertos e tempos indefinidos na era das representações digitais. A questão é procurar responde: Quais os fatores que levaram existência da arquitetura do abandono em grandes centros urbanos? Que arquitetura do abandono é essa? Porque resistem? Porque existem? Quem vive lá? Que tempo é esse? Que lugar é esse? Quais são os seus movimentos?
5 COMENTÁRIOS ?:
olá professor Edu.
Tomei conhecimento do projeto de vocês por um amigo, o Leo Furtado, do CDM. Ele me mandou o link e achei muito bacana toda a pesquisa. Acho que ele mostrou um video que fiz, resultado de algumas afetações como às de vocês, e então me falou dos videos dos textos e... aqui cheguei. Estudo artes visuais na ufrgs, e me formo em comunicação na unisnos no fim do ano. É bom e estimulante ver que se criam por alguns cantos do mundo trajetos apaixonantes que envolvam desejos e criação dentro da instituição, lugar tão duro, de tantas regras.
Fiquei com uma dúvida. Esse grupo é de uma linha de mestrado da ufpel, ou é um grupo independente, só hospedado na universidade?
Descobri um projeto de um pessoal de Barcelona, que talvez vocês já conheçam, são realmente ótimos: www.ciutatsocasionals.net/
eles estiveram em sao paulo no fim do ano passado e agora em BH, talvez façam algum grupo por aqui...!
Parabéns pelo trabalho...
Um abraço, Mayana
(mayanaredin@hotmail.com)
Mayana,
Esse grupo faz parte de algumas pesquisas na ufpel e ufrgs.
Eu sou o Eduardo, faço doutorado em arquitetura na ufrgs, e sou professor na ufpel.
o restante do grupo é formado por estudantes da ufpel, onde desenvolvo varias pesquisa, sempre sobre as arquiteturas do abandono.
ok.
você não quer mandar alguma contribuição para nós? foto, vídeo, texto, etc.
posso mandar sim, o que vocês sugerem? eu normalmente publico alguns trabalhos num fotolog: www.fotolog.net/miosotis, como este. tenho um vídeo, bastante coincidente com o trabalho de vocês.
como mando?
mayana.
Mayana,
pode mandar o link (se vc descarregou o vídeo no youtube ou em outro lugar) e se quiser um texto de apresentação para o meu mail: amigodudu@pop.com.br
ok.
estamos ansiosos para ver.
obrigado
edu
tá. vou tentar hospedá-lo no youtube.
obrigada, mayana!
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