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quarta-feira, 2 de maio de 2007

ARQUITETURAS DO ABANDONO: OS AGENTES DA ARQUITETURA

Paula Alquati e Papola Calderòn

A temática do abandono da arquitetura é algo transcendental, que toma proporções que extrapolam o espaço físico e se manifestam de maneira psicológica e social no espaço da cidade. Um espaço de abandono é mais que um espaço de exclusão, é um loco de reprodução de uma postura social calcada em carências. Carência de espaços de qualidade, carência de cuidados, carência de estrutura, carência estilística, entre outras.
É nesse contexto de carências que aparecem os agentes do abandono. Os agentes são os responsáveis diretos ou indiretos para que esse abandono se produza e se reproduza no contexto da cidade.
A arquitetura se consolida numa via onde, por um lado, é construída por pessoas, com a finalidade de abrigo e bem estar social. Por outro, se consolida como uma relação dicotômica, ao passo que ao mesmo tempo em que se ampliam os estoques construídos, se amplia a exclusão social na cidade, se amplia o número de abandonados. Abandonados pelas políticas públicas, abandonados pela vida privada; pessoas sem rumo, sem chão, que vivem às margens do convencionalmente aceito, às margens de nossa arquitetura.
Mas abandonado, marginal, também é tudo aquilo que não aceita as regras da cidade; também é aquele que não se adapta, que subverte as leis e a ordem; que não se encaixa nas duras posturas do convencional, o liberto das convenções.
Nesse sentido, surge uma arquitetura das margens, uma arquitetura que deve ser desbravada, entendida, conceituada. Que deve deixar de ser invisível e partir para o conhecimento de todos.
A arquitetura do abandono nos reflete em feridas da cidade, em lugares e pessoas esquecidas, relegadas, algo que vemos, mas não enxergamos, algo que os sentidos acostumaram-se a ignorar, como algo invisível na paisagem, parte de uma vida que não se percebe.
Além disso, ela faz parte das construções efêmeras da cidade, daquilo que é passageiro, transitório, que está fora de lugar. Ela e seus agentes.
A partir da cartografia, é possível analisar esses fenômenos que fazem parte da construção social da cidade, a partir de uma observação que com ela interage, quase devorando-a. A cartografia estuda o território, porém não como um algo restritamente geográfico, segundo Deleuze, território compreende a idéia de espaço, mas não consiste na delimitação objetiva somente de um lugar geográfico. O valor do território é também existencial, ele circunscreve, para cada um, o campo do familiar e do vinculante, marca as distâncias em relação a outrem e protege do caos. O território distribui um fora e um dentro. O território é uma zona de experiência.
Cartografando certas zonas da cidade a partir de recursos áudio visuais, é possível registrar as o abandono de diversas formas. Visualizar as pessoas, os animais, toda aquela porção viva e não estática que também faz parte do território e que está ali todos os dias interagindo com ele. Um território vivo ou agonizante, claro ou escuro, relegado, mas sem que se perca a esperança que um dia isso ressurja, tome força, reviva no seio da sociedade, tome força.
A partir dessas análises e registros áudio visuais, é possível transformar o abandono em arte, em cultura, em algo forte, pesado, onde é possível lançarmos o olhar e questionar, estranhar, querer mudar ou perpetuar de vez essa porção esquecida do olhar animal.

ABANDONO: FENÔMENO URBANO

Tatiane Nogueira

Fenômeno urbano? O abandono parece ser mais do que um fenômeno arquitetônico ou urbano. O abandono se espraia entre os tais campos tão distantes no dia-dia da maioria dos arquitetos: arquitetura, paisagismo, urbanismo. Edifícios apresentam sinais que parecem contaminar abrangendo uma escala maior e conferindo toda uma paisagem característica. Nos lugares do abandono os três vértices são uma mesma coisa. Confundíveis. É uma arquitetura sem limites, sem contornos, sem agente determinado ou único, mas essa arquitetura está lá. Pouco discutida, pouco entendida. Parece morta, mas tem vida nos vestígios de vegetação que brotam nela!
Essa arquitetura renegada também nos desperta pela sua beleza. Em um processo de conhecimento desses lugares passa-se do feio, pelo medo, a insegurança, a incerteza, a curiosidade, a novidade, e passa-se a encontrar beleza nas fotos, nos vídeos... Se não é beleza, é talvez um sentimento mais profundo ainda, que nos toca mais fundo que um belo projeto de arquitetura. Tem consigo um apelo emocional. Essa arquitetura é de todos nós e não tem dono. É feia e bela. E sentimos curiosidade de olhar através de muitas cascas vazias. Para encontrar o quê? O que procuramos na arquitetura? O que criamos com a arquitetura?
O fenômeno dessa arquitetura que não parece ter fronteiras, atinge diversas escalas, diversas formas, diversos lugares... Existe alguma cidade em que não vejamos sinais de abandono? Será que esses espaços são elementos das cidades? Será que as relações sociais das cidades geram sempre espaços do abandono?
Uma sensação de descaso, de desapego,... E, ao mesmo tempo, de liberdade. Lugares os quais aspecto visual nos parece transmitir uma sensação de que não é seguro, mas que ao mesmo tempo provoca uma liberdade que permite agir, pichar, quebrar, sujar,...
O estudo dessas arquiteturas leva a uma visualização estreita das implicações da arquitetura com a sociedade, o ser humano, a vida... O que é certo ou ideal? Existem conceitos ou implicações da arquitetura que ainda fogem o nosso conhecimento? Nesse sentido esse estudo levanta um olhar questionador do arquiteto sobre a sociedade, sobre a sua atuação, sobre as conseqüências do que estamos criando.
A arquitetura, o mundo, criou não só o ambiente construído em que vivemos, mas também conceitos. Conceitos do que é bom, do que é bonito, do que é certo. E o que não se encaixa nestes conceitos é feio, é ruim e é pobre. São imagens, são clichês, que persistem tão fortemente na nossa cabeça e que parecem justificar um olhar tão assustado, estranhado, sobre essa arquitetura do abandono e que nos levam, como agentes criadores deste meio, a repensar...

terça-feira, 1 de maio de 2007

RELATO DE UMA EXPEDIÇÃO AO ABANDONO

Juliana Plá

E foi assim, com o trajeto marcado, as armas com pilhas que saímos. Caminhamos em busca do território desconhecido. Em busca da fronteira que poucos ousam atravessar ou diluir. O intuito não era destruir, e sim tomar posse, conhecer, sentir; saber o porquê.
As dúvidas surgiam junto com o medo, afinal ali é o desconhecido, será terra de ninguém? E se o ninguém não gostar dessa ilustre visita. Não, não pode, afinal nós somos os descobridores, nós possuímos o conhecimento, nós e toda uma montanha de gente que simplesmente usa, que suga, o que pode e que como animais coleciona sensações e memórias de mais um estar na sociedade.
Bem, a missão era clara, mas a linha de chegada não. Perguntar não adianta, é muito subjetivo. Subjetivo, esta é a resposta, sentir o troféu, este seria o radar.
Então começamos, mas só o sentir? Bom quem sabe então algumas regras... Ok!
Primeiro, nada de agentes, segundo devem existir objetos sem dono, alguma coisa que niguém gostaria de ter e terceiro o tempo não deve reinar. Pronto, agora vai...
Achamos. O nojo e a admiração por aquele universo são sensações bem presentes. E como descobridores que somos, domamos o bicho e sem perder tempo o exibimos, NÚ. Não havia mais o berço que o tornava palpável. E assim todos o possuíam e o admiravam, inclusive teorias sobre sua existência surgiram e foram aplaudidas.
Bem, missão cumprida.
Mas e se... e se.. Não tudo errado!
O que foi que nós fizemos então? Começa outra expedição, mas agora sem caminhadas físicas, somente as do consciente e como convidado o inconsciente.
Vamos analisar. Por que ele é o que é, e aquele não é? As regras estão confusas agora. Por que usar uma única medida para classificação? Vamos mudar a escala.
Nada de agentes, mas que agentes? Os próximos a mim, é claro. Pois bem quando eles deixam o espaço, este é tomado por seres ditos não agentes, termo esse destinado àqueles que não vestem as ordens do social, são maltrapilhos. Mas, e se eles tiverem suas próprias vestes? Então são agentes. Sim, agentes. Pois bem como agentes formam regras, se formam regras formam mundos, mas onde? No bicho, no ABANDONO.
Huuum... se eles formam eles possuem, pois bem a primeira e a segunda regra acabam de ir por água a baixo. Mas ainda existe a do tempo, sim, nem tudo está perdido... até porque me lembro de ter chegado lá e enquanto estava lá ouvi sons estranhos, senti um cheiro desconhecido. Mas nada de tempo!
É nada de tempo.
Mas se enquanto eu estava lá aconteceram coisas... puts, existe o tempo! É já era.
O abandono não existe. Mas então, por que a lenda?
A resposta é simples e a encontrei em um texto de um arquiteto: “[...] esse processo doentio e viral que obriga o homem a mutilar sua visão cegar-se ante a impotência de ajudar ao próximo, de mudar as coisas, o mundo” (FUÃO, 2006).
Ainda podemos completar com outro fragmento poético: “O lixo não era o fim da vida, mas o seu recomeço. Ele parecia demonstrar que a vida não tem fim. O lixo nunca era o fim. Dali a vida recomeçava, organizava-se novamente” (MONTENEGRO, 2007).

sexta-feira, 27 de abril de 2007

CURSO DE ESQUIZOANÁLISE E PRÁTICAS SOCIAIS E INSTITUCIONAIS

Grupo de pesquisa em Educação e Contemporaneidade: experimentações com arte e filosofia - EXPERIMENTA, coordenado pela Profa. Dra. Carla Gonçalves Rodrigues (UFPel) e Profa. Dra. Cynthia Farina (CEFET-RS), promoverá o seguinte curso em Pelotas:




ESQUIZOANÁLISE E PRÁTICAS SOCIAIS E INSTITUCIONAIS


OBJETIVO

Estudar os modos de subjetividade contemporânea e
Construir meios de transformar as práticas cotidianas no trabalho, educação e saúde, contando com os teóricos da esquizoanálise.

PROGRAMA:
Deleuze e Guattari: os fundadores da esquizoanálise
Subjetividade contemporânea
Análise e intervenção micropolítica
Desejo e produção
O conceito de rede e a promoção de redes sociais
A noção de rizoma para a compreensão da subjetividade
Cartografia nas práticas sociais e institucionais
Análise de práticas sociais e institucionais
DATAS E HORÁRIOS
O curso terá a duração de 24 h/a, será desenvolvido em dois encontros nas sextas-feiras das 19 h às 22 h e nos sábados das 8h30min às 12 h e das 13 h às 16h30min nos dias 15 e 16 de junho e 22 e 23 de junho de 2007, no CEFET-RS, em Pelotas.

PARTICIPANTES
No mínimo 20 e no máximo 25 profissionais e estudantes de diferentes áreas que necessitam deste conhecimento para o desenvolvimento de suas atividades. O número inferior a 20 participantes inviabilizará a realização do curso.

Os alunos receberão antecipadamente os originais dos textos com o conteúdo do curso para leitura prévia. A cópia destes originais será de responsabilidade de cada participante. Será fornecido certificado aos participantes que comparecerem a no mínimo 75% dos encontros e realizarem a atividade de conclusão do curso.


DOCÊNCIA E COORDENAÇÃO
Psicóloga Nelma Campos Aragon (CRP-07/1829), UFRGS/81, Especializada em Psicologia Social (PUC/86), Mestre em Psicologia do Desenvolvimento (UFRGS/96). Responsável pelo Instituto de Psicologia Social de Porto Alegre Pichon-Rivière, docente e coordenadora de grupos de formação, supervisora de trabalhos grupais e institucionais, analista institucional e psicoterapeuta individual e grupal.

INVESTIMENTO
120,00, sendo 60,00 no primeiro encontro (15/06) e cheque pré-datado no mesmo valor (60,00) para a data do último encontro (22/06).

Maiores detalhes com Liana Corrêa: lianasc@brturbo.com.br; liana_sc@hotmail.com ou 9125 2405.

sábado, 14 de abril de 2007

1º. ENCONTRO: GALPÕES DE RECICLAGEM NA UNIVERSIDADE

DIA 12 DE MAIO DE 2007 (sábado)
LOCAL:
Faculdade de Arquitetura
UFRGS
Rua Sarmento Leite, 320 /201
Porto Alegre/RS
Tel / Fax: 55 51 3308-3485

DESCRIÇÃO:
Divulgar, mediante relatos, artigos e dialogos, as experiências e relacionamentos entre Universidade, Recicladores, Ong's participantes do Grupo de Pesquisa(CNpq): 'Galpões de Triagem: arquitetura, educação e design".
É desejo avançarmos nos temas propostos para o encontro, procurando ultrapassar e reler os discursos acadêmicos tradicionais, e assim progredindo de forma ‘científica’ em nosso campo de estudos.

PROGRAMAÇÃO:
MANHÃ
8:30 as 8:45
Abertura do evento.
8:45 as 10:30
Relatos de Experiências: apresentação de trabalhos de pesquisa e extensão realizados na Universidade, com o apoio de Ong’s, sobre as temáticas galpões de reciclagem, catadores e outros relacionados.
10:30 as 10:45
Pausa para café.
10:45 as 12:30
Relatos de Experiências: apresentação de trabalhos de pesquisa e extensão realizados por Ong’s e universidades sobre as temáticas relacionadas aos galpões de reciclagem, catadores e outros relacionados.
ALMOÇO
12:30 as 14:00
TARDE
14:00 as 15:30
Reunião de grupos de trabalho e temáticas: envolvendo catadores , representantes dos galpões de triagem, universidades, Ong’s
15:30 as 16:30
Apresentação dos relatos dos grupos de trabalho.
16:30 as 17:00
Contribuições finais.

GRUPOS DE TRABALHO sugestões:
Pedimos sugestões para a organização de grupos de trabalho e temáticas.
Temáticas provisórias:
1. O papel da Universidade nos galpões. O papel dos galpões na universidade.
2. O preparo e despreparo da Universidade.
3. Produtivismo x não produtivismo.
4. Relações entre os parceiros: catadores, estudantes, Ong’s e professores, coordenadores.

ENVIO DE TEXTOS para publicação:
Pedimos aos convidados que enviem textos relacionados as suas pesquisas e apresentações até a data de 30 de abril de 2007, para:
amigodudu@pop.com.br ou f.fuao@terra.com.br
As imagens (preto e branco) podem ser anexadas aos textos desde que sejam imprescindíveis ao seu entendimento e desenvolvimento. Não serão aceitas imagens meramente ilustrativas.
Os participantes podem enviar mais de um texto para publicação, tendo apenas um espaço de 15 minutos para o relato de suas experiências.
Os textos deverão vir com as devidas correções ortográficas.
O texto deverá ter um mínimo de 10 e um máximo de 30 páginas (padrão A4) e serão publicados em sua integra.

COMISSÃO ORGANIZADORA:
Organização, convites e programação: Fernando Fuão e Eduardo Rocha.
Execução (equipamentos e materiais): Beatriz Dorfman, Daniela Cidade e Ângela Ungaretti.
Almoço: Giovana Santini e Gládis.
Preparação, edição e publicação do material escrito: Marcelo Kiefer, Camila Bernadelli, Fernanda Nunes Schaan, Eduardo Rocha e Fernando Fuão.

O que são arquiteturas do abandono?

As arquiteturas do abandono compreendem desde edificações desabitadas, ruínas, restos de construção como também favelas, resíduos, sujeitos excluídos e tudo que até o desprendimento da matéria poderá nos levar a sentir e a pensar.
Num primeiro momento, apenas uma casa abandonada, em qualquer lugar, vizinha a tantas outras, nossa vizinha. Por ela, passamos todos os dias, caminhamos pela rua, a qual também acumula a sujeira, os restos, o capim. Tudo ao redor dessa casa, saindo pelas frestas, ruindo o reboco. A casa lar que antes abrigava uma família, agora se abre aos desabrigados, aos vagabundos, aos bandidos. Abandona-se ao bando.
Uma fábrica abandonada ou uma fábrica que abandonou muitos, uma enorme massa construída, onde o trabalho parou, mas sente-se ainda o movimento dos operários e o som das máquinas. Das máquinas enferrujadas que não produzem mais nada, apenas as carcaças envoltas em teias de aranha, recoberta por muita poeira. A poeira que entra pela boca, que resseca, que nos cega a vista, que esfuma. Fábrica abandonada por todos, mas que deixa toda a sujeira para trás, dos restos radioativos que podem provocar doenças, até os resíduos que servem de ganha pão para outros. Tudo arruinando e curando: fábrica, máquinas, resíduos, pessoas.
Todo o resíduo e entulho podem escorrer, migrar de um lugar para outro, pingar, deixar-se levar, contaminar o que não é abandonado, assim como o movimento de abandonar, de deixar alguma coisa em detrimento de outra. No edifício, a função vai embora e fica a forma abandonada.
Matar ou curar. Finito e infinito ao mesmo tempo. O tempo dos abandonos pode ser longo como o de uma ruína ou rápido como o de uma implosão. Difícil de ser medido e quantificado. Tudo pode ocorrer numa fração de segundos ou lentamente, como se não passasse de uma longa espera. Abandonar é largar a deterioração ao apodrecimento, ao mofo.
Também um resto de parede que teima em ficar de pé, que teima em permanecer. Mesmo com a chuva e o vento que lavam, dentro e fora, teimem em abatê-la. Uma ruína, um resto arruinado, não aquela ruína histórica, mas uma ruína fruto da supressão da própria história. Uma superfície arenosa e abandonada, transformada em deserto em meio à vida cotidiana das cidades.
Uma cidade é repleta de abandonos, por todos os lados, e de abandonados também. Eles estão ali perambulando pelas ruas, pelas calçadas, adentrando edifícios abandonados, encontrando-se, cara a cara conosco, Ás vezes desviamos, pulamos sobre eles, os abandonados cheiram mal, faltam-lhes dentes, e todos os objetos de consumo que tanto ansiamos.
O campo de ação das arquiteturas do abandono é amplo e, muitas vezes, caótico, abarca a matéria e a imatéria. Abandonamos materialidades, prédios, ruínas, restos, objetos, coisas, tudo o que possamos tocar, roubar, quebrar ou assassinar. Tudo muito elementar, muito óbvio.
No entanto, abandonos são também imateriais, do campo, do que não podemos mensurar. O abandono imaterial é do campo dos sentidos, dos desejos ou das sensações. Só há abandono material, porque há abandono imaterial, um se alimenta do outro. É corpo, é alma. As arquiteturas materiais do abandono podem ser as forças que nos sacodem para os abandonos imateriais. Como nas artes visuais ou na música, que atravessam nossos corpos. Abandonos também são capazes de desencarnar dos corpos arquitetônicos e habitar a fronteira, o escape, a fuligem.